LGPD para PME — checklist prático para estar em dia em 90 dias
Um plano de ação realista para PMEs que ainda não se adequaram à Lei Geral de Proteção de Dados. Sem jargão jurídico, sem consultoria de seis dígitos.
Por Fabian Martinelli · 18 de abril de 2026
Em 2025 a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) começou a multar PMEs de verdade. Até então a autoridade estava focada em gigantes da tecnologia e telecom. Hoje, clínicas, agências, e-commerces e escritórios de serviços profissionais estão no radar.
Se sua empresa trata dados de pacientes, clientes ou colaboradores, ignorar LGPD é um risco financeiro que você não precisa correr. A boa notícia: estar em conformidade é mais simples do que parece, desde que você siga um plano sistemático.
Este é um checklist prático de 90 dias, testado em mais de 40 empresas clientes, para você chegar a um nível mínimo de aderência à lei.
Mês 1: Diagnóstico e mapeamento
Semana 1-2: Inventário de dados
Responda, com evidências:
- Que dados pessoais coletamos? (CPF, nome, e-mail, telefone, endereço, dados de saúde, dados financeiros)
- De quem? (clientes, funcionários, leads, fornecedores)
- Onde esses dados ficam armazenados? (Google Drive, planilha local, CRM, sistema próprio, e-mails)
- Quem tem acesso? (lista de pessoas e nível de permissão)
Esse mapeamento é a base de tudo. Sem ele, nada mais faz sentido.
Semana 3-4: Base legal
Para cada categoria de dado coletado, documente a base legal que autoriza o tratamento:
- Consentimento (cliente marcou opt-in explícito)
- Execução de contrato (dados necessários para entregar o serviço)
- Interesse legítimo (prospecção comercial, análise de fraude)
- Cumprimento de obrigação legal (dados fiscais, trabalhistas)
A ANPD vai perguntar "por que você tem esse dado?" e você precisa ter resposta clara.
Mês 2: Documentação e processos
Semana 5-6: Política de privacidade
Sua política de privacidade precisa ter, no mínimo:
- Que dados você coleta e por quê
- Com quem você compartilha (lista de processadores terceirizados)
- Por quanto tempo você guarda
- Como o titular exerce seus direitos (acesso, correção, exclusão, portabilidade)
- Contato do DPO (encarregado)
Publique no site com link no rodapé de todas as páginas. E — ponto crítico — garanta que ela corresponde ao que você realmente faz na operação.
Semana 7-8: Canal de atendimento ao titular
Você precisa ter um canal (e-mail ou formulário) para que titulares peçam acesso, correção ou exclusão dos dados deles. A ANPD exige resposta em até 15 dias corridos.
Crie um endereço dedicado (ex: dpo@suaempresa.com.br ou privacidade@suaempresa.com.br) e documente o processo interno para responder pedidos.
Mês 3: Infraestrutura e treinamento
Semana 9-10: Segurança técnica
- Criptografia em trânsito (HTTPS em todo o site e sistemas)
- Criptografia em repouso (dados sensíveis criptografados no banco)
- Controle de acesso (cada pessoa só vê o que precisa — princípio do menor privilégio)
- Logs de acesso (quem acessou o quê e quando)
- Backup regular (pelo menos diário, com teste de restauração)
Para operações pequenas, uma plataforma como Supabase ou AWS já entrega isso "de graça" desde que você configure corretamente.
Semana 11-12: Treinamento de equipe
Todo colaborador que lida com dados pessoais precisa de treinamento básico:
- O que é LGPD e por que importa
- Como identificar dado pessoal
- O que fazer em caso de incidente (vazamento, perda)
- Como reportar pedidos de titulares
Não precisa ser curso formal. Uma reunião de 1 hora por trimestre + documento de referência interno já te protege bastante.
O que a ANPD realmente fiscaliza
Em ordem de prioridade, baseado nos casos públicos:
- Política de privacidade ausente ou desatualizada — multa fácil, muito comum
- Consentimento não documentado (opt-in genérico no rodapé não vale)
- Falta de resposta a titulares em 15 dias
- Compartilhamento com terceiros sem informar
- Incidentes de segurança não comunicados à ANPD
Os pontos 1 a 4 você resolve com documentação e processo. O 5 é o mais complicado e exige infraestrutura.
Ferramentas que ajudam
Você pode fazer tudo isso com planilha, Google Docs e e-mail — e muitas empresas começam assim. Conforme cresce, compensa usar uma ferramenta integrada.
O Compliance Analyzer do marketplace faz exatamente esse diagnóstico em 40 minutos, identifica os gaps, e gera um plano de ação priorizado com responsável, prazo e esforço. Incluso no plano Pro.
Conclusão
LGPD não é bicho de sete cabeças, mas exige disciplina. O pior cenário é ignorar até chegar uma notificação — aí você tem 15 dias para responder e, sem preparo, vira caos.
Começar agora, com um plano de 90 dias bem executado, resolve 80% do risco regulatório. Os outros 20% são ajustes finos que você faz ao longo do tempo.
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