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Flint, da Recursive: modelo de código gratuito que roda no notebook

A Recursive lançou o Flint, modelo de código gratuito que roda local. O que muda pra uma equipe de desenvolvimento e como testar sem risco.

Publicado em22 de outubro de 20265 min de leituraFabian Martinelli
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Flint, da Recursive: modelo de código gratuito que roda no notebook

Em 21 de outubro de 2026, a startup Recursive lançou o Flint, seu primeiro modelo. É um assistente de programação gratuito, com pesos abertos sob licença Apache 2.0, pequeno o bastante para rodar num notebook. Pra uma empresa média com time de desenvolvimento, a combinação tem três efeitos práticos: zero de licença, nenhuma taxa por uso e código-fonte que não sai da máquina.

Antes de empolgar, vale separar o que está comprovado do que é promessa. Quase todos os números abaixo vêm da própria Recursive. O material apurado não traz avaliação independente.

O que é o Flint

O nome completo é Recursive Flint. A empresa o descreve como um modelo "mixture-of-experts" (vários especialistas internos, só alguns acionados por vez) feito para programação agêntica rápida em hardware local. Agêntica, aqui, quer dizer que o modelo executa tarefas em sequência, e não só responde perguntas.

Os números de porte explicam por que ele cabe numa máquina comum: são 40 bilhões de parâmetros no total, mas só 2,5 bilhões ativos por token. Na prática, ele pensa com uma fração do tamanho, e isso pesa na velocidade.

Outro dado de eficiência, também informado pela empresa: um treinamento em baixa precisão reduziu o tamanho do modelo em 71%, com perda mínima de qualidade.

Velocidade: o que a empresa declara

Segundo a Recursive, em contextos curtos o Flint passa de 125 tokens por segundo num MacBook Pro M4 Pro e de 150 tokens por segundo numa NVIDIA RTX Spark de 64GB. A cobertura da imprensa cita cerca de 131 tokens por segundo no MacBook, atribuídos a testes da própria empresa. A Recursive afirma que ele chega a ser duas vezes mais rápido que modelos comparáveis.

Sobre concorrentes, a única comparação numérica de segunda mão no material é da theoutpost.ai: 58 a 69 tokens por segundo para o Gemma 4, do Google, e o Nemotron 3.5 Lightning, da Nvidia, na mesma máquina. Esses números não aparecem na fonte primária. Comparação de qualidade entre os três não foi publicada.

Três ressalvas pesam na decisão:

  • As velocidades valem para contextos curtos. O Flint aceita até 512 mil tokens de contexto, mas a empresa recomenda ficar em até 256 mil.
  • A empresa também lançou o "rec", um motor leve otimizado para o Flint em chips Apple M4 Pro e M5 Pro/Max. As velocidades divulgadas dependem desse motor otimizado.
  • A memória mínima necessária pro modelo de 40B não foi divulgada. Os testes citam máquinas de 64GB no caso da RTX Spark.

Benchmarks: sem nota, sem conclusão

A Recursive diz que o Flint lidera os modelos do mesmo tipo com menos de 50 bilhões de parâmetros totais em testes de código agêntico: SWE-Bench Pro v2, Terminal-Bench 2.1 e SWE-Bench Verified. Diz também que rivaliza em código com modelos densos de 25 a 40 bilhões de parâmetros, rodando mais de cinco vezes mais rápido.

As pontuações não foram publicadas no material, e ninguém de fora confirmou. Pra quem decide por dinheiro e risco, isso significa que o único benchmark que vale é o do seu próprio código.

Feito em grande parte por IA

A Recursive afirma que o modelo foi construído do zero em menos de quatro meses, por uma equipe pequena de pessoas e agentes. O sistema automatizado de pesquisa, chamado Eureka Machine, participou de quase todas as etapas, do pré-treino à inferência. O CEO, Richard Socher, ex-chief scientist da Salesforce, disse que quase todos os aspectos do processo foram feitos e melhorados por IA. A empresa chama o lançamento de um primeiro teste público da sua agenda de pesquisa em autoaperfeiçoamento recursivo.

Pesquisadores humanos supervisionaram e escolheram os resultados promissores. A remio.ai observa que a origem é difícil de auditar: o download permite examinar o modelo, mas não o processo completo nem os experimentos que falharam. Pra um gestor, essa discussão é secundária. O que importa é se o modelo entrega no seu código.

O que muda na operação

O argumento de negócio é simples. Um assistente local funciona offline, os dados ficam na máquina e não há taxa de API. Isso vale só se o modelo rodar de fato local. Pra empresa que hesita em colar código de cliente num serviço externo, o risco de vazamento por esse caminho some.

O modelo está disponível no Hugging Face e funciona com llama.cpp, Ollama, Unsloth, LM Studio, vLLM e SGLang. O custo de licença é zero. O custo real fica em outro lugar: o tempo de quem configura, a máquina adequada e a validação do resultado.

Como testar sem apostar alto

O material não traz dados de ganho de produtividade, então a medição fica por conta de cada empresa. Na minha leitura, o caminho mais seguro tem quatro passos:

  1. Escolha uma dor só. Testes automatizados, refatoração ou documentação são tarefas repetitivas e fáceis de revisar.
  2. Reserve uma máquina e dois desenvolvedores. Um dono por piloto evita que o teste morra no meio.
  3. Meça por sprint. Anote as horas gastas na tarefa antes e durante o piloto, e quantas vezes o resultado precisou ser refeito.
  4. Decida com número. Se as horas voltaram pra equipe e o retrabalho ficou baixo, amplie. Se não, você gastou algumas semanas e nenhuma licença.

O Flint ainda não tem avaliação independente e depende de hardware específico pra chegar às velocidades divulgadas. Mesmo assim, o custo de testar é baixo, e o resultado pode ser medido em horas devolvidas ao time.

A Recursive é uma startup fundada em 2025. Agregadores secundários falam em US$ 650 milhões captados a uma avaliação de US$ 4,65 bilhões, mas nenhuma fonte primária do material confirma o valor.